Fórum: Estratégias Didáticas na Educação Online

História Interativa

História Interativa

por Usuário excluído -
Número de respostas: 8

No tópico Histórias Interativas do fórum Estratégias Didáticas na Educação Online, vamos continuar, refazer, alterar a história Tecnologias e Discriminação iniciada pela professora Maria Alba Correia, da UFAL:

José e Maria professores da universidade, após uma ida ao Cine SESI, surpreendem-se, à meia noite, na volta para casa, ao encontrar o filho Pedrinho, de 9 anos, com amigos, João (14 anos) e Laura (19 anos), à frente do computador interagindo na internet, com cenas de violência entre grupos brancos e negros.

Observando a reação dos jovens, percebem posicionamento em favor dos grupos brancos que violentam crianças e jovens negros/as numa favela do Rio de Janeiro.

Escutam dos jovens que, nas escolas, as drogas e a violência andam juntas e são trazidas pelos negros. E não vêem nenhuma providência pela polícia ou pela direção da escola. Os negros das favelas dvem mesmo ser combatidos
Preocupados com a formação de seu filho, observam o site, para providenciar medidas de proteção ao menor e, ao mesmo tempo reagem de forma autoritária desligando o computador, proibindo o uso de sites dessa natureza.

Como educadores procuram se orientar sobre sua conduta em relação ao direito de uso do computador pela criança e resolvem vigiar, criar horários, disciplinar o acesso de Pedrinho ao computador e ainda selecionam os sites permitidos a menores.

Entram em conflito por entenderem a importância da tecnologia na comunicação não apenas como elemento inovador e articulador do mundo da globalização, mas como ferramenta de comunicação cujo potencial, na multiplicidade de recursos que oferece, nas inovações educacionais, pode contribuir no proesso de aprendizagem das crianças. No entanto, reconhecem que a internet pode prejudicar a formação do jovem, por passar valores que eles não gostariam que fossem assimilados por seus filhos.

Vamos continuar a história ampliando a mesma com os temas: inovação das leis e da gestão da escola que tem papel a desempenhar na sociedade cujos problemas se apresentam de forma assustadora para a infância e a juventude, o papel da escola no tratamento ético aos direitos da criança e do adolescente, o uso ou não da internet pela criança, como deve ser o procedimento de pais e educadores?

Em resposta à Usuário excluído

Re: História Interativa

por Usuário excluído -

Falando em uso dos computadores e Internet pelas crianças e adolescentes:

Apesar dos computadores e internet fazerem parte do cotidiano de milhares de crianças e adolescentes, há vozes que se levantam contra esse uso. Uma delas é do Prof. Valdemar Setzer - professor titular aposentado - mais ainda ativo - do departamento de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (USP). Seus argumentos são:

- o computador força um tipo de pensamento matemático, lógico-simbólico, e uma linguagem formal, impróprias para crianças e adolescentes;

- o computador e a internet exigem muita maturidade e autocontrole. Eles representam um ambiente totalmente fora do contexto de maturidade e cultural da criança. Ela teria que ter um discernimento de adulto para distinguir o que é próprio ou impróprio para sua idade e cultura.

- crianças e adolescentes são ingênuos e revelam na internet dados pessoais, que podem ser usados contra elas mesmas, uma vez que se comunicam com muitas pessoas desconhecidas.

Embora considere o Prof. Setzer muito radical em suas posições, suas argumentações pelo menos em relação aos perigos a que as crianças se expõem, fazem sentido. A navegação na rede comporta riscos: redes de pedófilos, pornografia, drogas, preconceitos raciais e outros, de forma que pais e educadores precisam estar muito atentos.

Atualmente, entre as medidas de proteção aos filhos, está o acompanhamento dos percursos que fazem na Internet; instalação de bloqueadores de sites de conteúdo duvidoso ou perigoso e mais do que nunca se impõe a necessidade do diálogo, orientando para escolhas saudáveis. É recomendável que o computador esteja numa área de acesso comum a todos da família e que assim como são estabelecidos os tempos para brincar, estudar, sejam definidos também os tempos para o computador e para a Internet. Crianças precisam de atividades diversificadas. Seu corpo precisa de movimento. Seu crescimento harmonioso depende da dosagem dessas atividades. Afinal, embora possamos estar no mundo pela tela do computador, o mundo real é muito mais rico em tons e cores, imprescindível para o equilíbrio do próprio ser humano.

Em resposta à Usuário excluído

Re: História Interativa

por Jose Rosa -

Caros amigos,

 

Muito interessante o que foi colocado por Carmen Lúcia e pelo  Prof. Setzer.

Este tema é bastante polêmico e atual.

Ouso discordar do professor, citando um trecho de um artigo que fiz sobre hipertexto e que publicamos em livro (Educação, Tecnologias e Representações Sociais, Editora Quartetto, Salvador/BA) organizado por professores do Mestrado da Uneb:

“...

enquanto tecnologia que é, na “Primeira Lei de Kranzberg”, que preconiza: “A tecnologia não é boa, nem ruim e também não é neutra” (CASTELLS, 2006). No mesmo caminho enfatiza Schaff: “Nenhum avanço do conhecimento humano é em si reacionário ou negativo, já que tudo depende de como o homem o utiliza como ser social: uma mesma descoberta pode ser utilizada pelo homem para abrir caminho a um novo paraíso ou a um novo inferno...” (1995).

...

Livro Educação Tecnologias e Representações Sociais

Fonte: http://joserosafilho.wordpress.com/2008/04/23/educacao-tecnologias-e-representacoes-sociais/

 

Por outro lado, concordo com você Carmen, que devemos estar atentos para as outras atividades que um jovem ou criança devem praticar no ‘mundo real’. Afinal, entre tantos outros argumentos, há alguns sentidos, como o olfato e a gustação, só para citar estes dois, que em nenhum computador conseguimos experimentar. Ah, o sexto sentido (sexto ?), atribuído às mulheres, este nem pensar. Isso passa ainda pelas atividades coletivas físicas, como jogos e brincadeiras, hoje infelizmente tão raras entre as crianças e jovens, com todos os valores, lúdicos inclusive, cultivados com elas.

 

No “mesmo rumo desta prosa”, vou acrescentar uma experiência particular que tive há alguns anos quando aportei nesta bela terra soteropolitana: levando alguns sobrinhos à Fonte Nova para ver um jogo do Bahia, fiquei impressionado e chocado ao mesmo tempo quando um deles (que obviamente jamais havia ido a um estádio de futebol, para ver ou jogar bola, isso com quase dez anos de idade) ao iniciar o jogo ficou apertando os polegares das duas mãos como se estivesse de posse de um joystick... (dá para ficar encucado e refletindo quando se vê uma experiência dessas, não é mesmo ?!).

Em resposta à Jose Rosa

Re: História Interativa

por Usuário excluído -

Olá Profa. Maria Aparecida, Carmen e José,

Realmente devemos dosar o acesso das crianças ao computador e a internet, com horários pré-estabelecidos, computador em lugar acessível e visível a toda família, bloqueadores de sites, programas específicos para rastrear o que estão fazendo. Todavia devemos lembrar que tudo isso é muito fácil de ser burlado, com essa juventude tão “esperta”, bloqueadores já não funcionam mais, as próprias crianças já sabem como desbloquear. Até porque a criança e o adolescente pode acessar a rede de qualquer lugar e continuar acessado sites impróprios sem nenhuma restrição em Lan House e cyber café ou ate mesmo do próprio celular.

O que devemos fazer é sentar junto a essas crianças e mostrar na rede com o uso do computador o que pode ser nocivo ou não para elas. Devemos orientar e não tomar atitudes agressivas que só vai fazê-las ficarem mais curiosas. Mostrar que algumas interfaces não servem somente para brincar e se divertir mais também como forma de pesquisa e busca do conhecimento. Tentar mostrar que a internet é muito mais do que bate papo, pornografia e exposição de suas vidas em sites de relacionamentos.

Agora, será mesmo que as crianças e adolescentes são ingênuos ao ponto de estarem expondo suas vidas na internet?

Em resposta à Usuário excluído

Re: História Interativa

por Usuário excluído -

Certamente que o diálogo é fundamental na tarefa de ajudar as novas gerações a desenvolver a capacidade de filtrar as informações, selecionar o que lhe interessa e evitar riscos desnecessários. Entretanto, os adultos muitas vezes também se expõem e correm riscos, quando usam dados pessoais como número de documentos, cartões de crédito ou dados bancários, que podem ser utilizados por crackers, para atividades ilícitas. Um outro risco para os adultos está nos relacionamentos, pois não se pode ter certeza de até que ponto o amigo(a) ou namorado(a) virtual é o que diz ser. Já ouvimos relatos de casos de assalto e estupro, quando se marca encontros presenciais.

Em resposta à Usuário excluído

Re: História Interativa

por Usuário excluído -

Olá Carmen,

Estamos vivendo em uma sociedade onde o individuo se torna cada vez mais fluido segundo Bauman, se moldando facilmente as situações que aparecem, isso faz com que haja mais exposição da pessoa, seja com os dados pessoais colocados na internet, o uso sem restrições dos cartões de credito, do fornecimento de dados a pessoas e sites não confiáveis e sem contar em sites de relacionamentos que existem e que os adultos estão usando como se fosse brincadeira se expondo cada vez mais, lembrando que inicialmente os sites de relacionamentos foram abertos para adultos e depois as crianças e adolescentes começaram a utilizá-los. Realmente devemos dialogar com as crianças e adolescentes, mais antes precisamos dar o exemplo e mostrarmos que internet não é apenas para brincar e bate papo. Segundo Giddens devemos refletir sobre os acontecimentos dessa sociedade.

Em resposta à Usuário excluído

Vamos continuar a História Interativa?

por Usuário excluído -

Olá pessoal,

que tal retomamos o objetivo deste fórum?

Sei que todos querem continura a discussão da unidade anterior, sobre as interfaces, mas recordamos que estes fóruns da 2ª unidade estão disponibilizados para que possamos partilhar nossas estratégias didáticas para cada interface.

Aparecida nos propõe uma história... vamos ler mais uma vez e retomar esta história?

Um abraço,

Fernando Pimentel

Em resposta à Usuário excluído

Re: Vamos continuar a História Interativa?

por Usuário excluído -

Olá Fernando, Olá pessoal:

Retornando ao tema proposto: qual deveria ser o  papel da escola no tratamento ético  de questões  relacionadas com a utilização da internet, mas não só a internet, da TV, dos Video-games etc,  pelas crianças e adolescentes, creio que a escola e os profesores ainda não se deram conta do impacto  dos meios de comunicação na constituição das subjetividades discentes e  alimentam, de modo geral, uma visão reducionista de que esses só servem para diversão. Essa desconsideração  impede, como coloca muito bem Orosco, a compreensão do fenômeno educativo que está sendo realizado pelos meios de comunicação e meios digitais, e não dá oportunidades para intervenção docente no processo.   

PS: José Rosa, foi muito oportuno você dar visibilidade ao  livro produzido  com esforço e dedicação no nosso Mestrado ! 

Em resposta à Usuário excluído

Re: Vamos continuar a História Interativa?

por Usuário excluído -
Olá Fernando, a escola assimila o papel de orientadora quanto ao lado nocivo da internet, porém acredito que o repasse desta informação fique bastante vaga, para a compreensão da criança e do adolescente. Fator que não se pode desconsiderar é que a prevenção pode funcionar como um faca de dois gumes e, acredito que este, deva ser em parte, fator de acomodação quanto aos educadores entrarem no mérito da questão.