Interatividade

Interatividade é, a partir dos anos 1980, uma condição inovadora da informática, da televisão, do cinema, do teatro, dos brinquedos eletrônicos, do sistema bancário online, da publicidade, etc. Há uma crescente "indústria da interatividade", usando o adjetivo "interativo", para qualificar qualquer coisa cujo funcionamento permite ao seu usuário algum nível de participação ou troca de ações.

O termo vem sendo usado nos contextos mais diversos. Em conseqüência o termo interatividade tornou-se tão elástico a ponto de perder (se é que chegou a ter!) a precisão de sentido. O termo virou marketing de si mesmo. Vende mídias, notícias, programas de tv, tecnologias, shows.

O adjetivo "interativo" tem servido para qualificar qualquer coisa ou sistema cujo funcionamento permite ao seu usuário algum nível de participação ou de suposta participação. O cinema cujas cadeiras balançam sincronizadamente com o filme exibido é chamado de cinema interativo. Interativo apenas porque as cadeiras balançam, mas ninguém está interagindo com coisa alguma. Na televisão, quando o programa supõe respostas dos telespectadores por telefone é chamado de TV interativa. Interativa somente porque as pessoas respondem x ou y, sim ou não. No teatro, quando os atores se envolvem diretamente com pessoas da platéia, previamente preparadas ou não, é teatro interativo. Além desses, há os brinquedos eletrônicos, games e telas táteis que dão informações quando tocadas. São chamados de brinquedos interativos ou sistemas interativos de informação. Estes e outros exemplos mostram o alastramento do adjetivo que hoje seduz o consumidor, espectador ou usuário, dando a ele alguma possibilidade ou sensação de participação ou interferência. É preciso, portanto, depurar o conceito.

O termo interação vem de longe. Na física refere-se ao comportamento de partículas cujo movimento é alterado pelo movimento de outras partículas. Em sociologia e psicologia social a premissa é: nenhuma ação humana ou social existe separada da interação. O conceito de interação social foi usado pelos interacionistas a partir do início do século XX. Designa a influência recíproca dos atos de pessoas ou grupos. Um desdobramento dessa corrente é o “interacionismo simbólico” que estudou a interação entre indivíduos e instituições no sentido de verificar como são coagidos por elas e de como buscam transcender essa coação.

O termo de interatividade é recente. Pode ter surgido no final dos anos 1970 e no contexto das novas tecnologias de informação. Um dado que permite esta afirmação é a ausência do termo nos dicionários de informática até meados dos anos 80. Ainda está por ser feita a genealogia do termo.

O conceito de 'interação' vem da física, foi incorporado pela sociologia, pela psicologia social e, finalmente, no campo da informática transmuta-se em 'interatividade'. Falta verificar porque houve tal transmutação. Seria necessário para isto, fazer uma varredura na bibliografia sobre informática do final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

Até cerca de 1975 o computador era uma máquina binária, rígida, restritiva, centralizadora, mas que, depois, passou a incorporar a tecnologia do hipertexto, criando interfaces amigáveis. Seria, provavelmente, nessa época de transição da máquina rígida para a máquina conversacional, que os informatas, insatisfeitos com o conceito genérico de "interação", buscam no termo interatividade a nova dimensão conversacional da informática. Vale lembrar que o ambiente sociocultural em que se encontravam aqueles informatas era, desde os anos 1960, de “contracultura”, de contestação à unidirecionalidade opressiva e anti-social, particularmente marcante no contexto midiático, em favor da bidirecionalidade. Neste contexto, para localização do surgimento do termo interatividade, seria necessário fazer uma incursão pela pop art, uma vez que a idéia de interpenetrabilidade, fusão sujeito-objeto (obra) é característica é característica desse movimento. Exemplo disso é a chamada “arte participacionista”.

Entre os críticos dos termos interação e interatividade, há os que dizem que interação refere-se a relações humanas, enquanto interatividade está restrita à relação homem-máquina (tecnologias, equipamentos, sistemas, no sentido do sistema hipertextual, da tecnologia informática). E há aqueles não aceitam tal posição. Para estes interatividade está na disposição ou predisposição para mais interação, para uma hiper-interação, para bidirecionalidade (fusão emissão-recepção), para participação e intervenção. Um indivíduo pode se predispor a uma relação hipertextual com outro indivíduo, seja via computador online, seja na relação presencial face a face.

Pode-se dizer, entre um site ou um blog e um "internauta", a ambiência comunicacional está aberta à interatividade. O site, o blog não se definem como emissão, pelo menos na acepção clássica desse termo. São ambientes de adentramento, de operatividade, de atuação, intervenção nos acontecimentos, nos conteúdos. A mensagem no contexto da interatividade não se reduz à emissão. Ela é espaço tridimensional de atuação daquele que não pode mais ser visto como receptor.

Por sua vez, a tv, enquanto ainda não é de fato digital interativa, permite ao telespectador somente interação. Mesmo que ele esteja munido de um controle remoto e praticando o zapping (saltar de canal em canal, confeccionando seu próprio roteiro televisivo). Nesse caso o que há é reatividade (escolha entre as opções que lhe são dadas) e não participação e intervenção na programação da tv. O espectador continua “espectdor”, continua separado da emissão e, como tal, ele não é teleintra-atuante, como na relação com um site ou um blog.

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